segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Até a aula de dança eu percorro um caminho de alguns quarterões, onde vou deixando em cada esquina minhas fantasias múltiplas (droga! E era minha meta para a nova-vida-2009 permanecer o maior tempo possível dentro do momento presente e utilizar minha incontrolável imaginação pra escrever um Romance, finalmente fazer algo útil com minha vertiginosa capacidade de fantasiar e quem sabe até utilizar essa habilidade em prol do meu enriquecimento financeiro – até parece), minhas angústias (que envolvem sempre a fragilidade da vida humana, catástrofes de diversas naturezas, hipocondria e passado), minhas expectativas (nesse momento: a viagem do Rio, a viagem do Rio, a viagem do Rio, um encontro casual, um encontro óbvio, a presença, o sorriso) e minhas doenças (hoje: náuseas desesperadas, de parar, segurar num poste imundo e se preparar para o momento crucial de vomitar. Mas apenas esperar, pois não há vômito – só histerismo- e estou no meio da rua).

Acho que sou muito nova pra padecer de tantos mals do corpo. Mas talvez seja apenas fruto da minha mente – aquela velha e já conhecida altíssima inclinação para somatizar. Os mals estão todos na minha cabeça. Mas eu estou tão feliz, aguardando os melhores momentos, sempre, os melhores, os mais emocionantes e realizadores. Os melhores forrós, as melhores companhias, as melhores peças, os melhores filmes, os melhores livros, os melhores lugares, os melhores sambas, as melhores cachoeiras, os dias mais lindos, as melhores comidas, as cervejas mais geladas, as melhores músicas e as maiores emoções. Mas mesmo se eu não tiver nada disso, existe em mim uma felicidade calma e tranqüila que me leva à sutileza de apreciar, admirar e me emocionar com as coisas mais pequenas e simples da vida.

Evidentemente, 50% das minhas doenças são fruto da minha fragilidade orgânica (e droga! Odeio ter que me colocar nesse papel de pobre e indefesa, até porque vi, a vida toda, os olhares das pessoas em direção à mim cheios desses sentimentos. E odeio. Odeio esse papel de fraca, boba, meiga, sonsa, doce e criança que deram pra mim. Ou que eu dei pra mim. Ou que eu sou mesmo e só nego, autocrítica e insatisfeita que sou) e os outros 50% da minha hipocondria patética (só um sintoma da minha dramaticidade sem limites).

Hoje eu fui na manicure e pedi pra ela não tirar minha cutícula, porque eu ía pra praia e praia é o esgoto do mundo e minha unha e meu corpo devem esta devidamente protegidos contra a tal boca-de-lobo universal. Toda a sessão de fazer unhas foi uma tortura absoluta.. Ficar imaginando de onde veio o alicate, o palitinho, o maquinário todo. E quem seriam aquelas pessoas que da mesma forma que eu estavam na posição passiva de se exporem a cada um daqueles objetos. Fungos, micoses, hepatites?! O que elas teriam e o mais importante: o que elas me transmitiriam?! Oh, senhor. Graças a Deus me vacinei contra hepatite B, mas e a hepatite C? A pior de todas. A C é a pior de todas. E a angústia de ver a tal manicure lixar meus pés (de onde veio aquela lixa, e os outros pés, e as outras doenças?) enquanto contava animada o caso de uma menina que morreu ao passar formol em quantidade não recomendada na unha. Então saí de lá, tentando desviar minha atenção um pouco daquela maldita idéia fixa de me contaminar. Afinal, qualquer que tenha sido o estrago, sua amplitude e conseqüências, ele já estava feito. Prometi a mim mesma, mais uma vez (dentre outras tantas milhares) ser a última ocasião na qual eu iria na manicure. Afinal, elas nem sabem fazer unha direito mesmo.

E não, eu não quero me preocupar com essa minha hipocondria infundada. E na verdade, preocupar-me seria demandar forças, energia e iniciativa pra resolver essa questão. E sinceramente, me atrapalha muito, me deixa ridícula, paranóica e me faz passar por um sofrimento inventado, inexistente e desmedido, mas mesmo assim, não sei o que fazer pra parar de pensar que eu sou uma pessoa doente, potencialmente doente, passível de adoecer e enfim, muito doente mesmo. Mas nesse momento quero concentrar-me única e exclusivamente nesse período mágico o qual me acometeu: de felicidade. Felicidade pura.


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